Vira e mexe nos acontecem esses causos que só poderiam acontecer em Londres, e que nos fazem questionar verdades que pareciam arraigadas em nosso passado.
Estávamos eu e Felipe Aquilino no Walkabout em Temple esperando começar a semifinal da Eurocopa entre Espanha e Rússia.De repente chegam 3 caras, se apossam do restante da mesa e começam a conversar numa língua bizarra. “Esses caras devem ser russos”, comentou o Felipe. Eram 2 russos e um ucraniano.
Começamos a conversar com eles, e me lembrei do medo que senti da União Soviética na copa de 1982 (jogada na Espanha, por sinal). Aqueles inimigos carrancudos, todos iguaizinhos, com a camisa vermelha escrito “CCCP” e o goleiro Dasaiev que anulou o ataque-arte do Brasil pela maior parte do jogo. Nunca entendi porque os soviéticos se chamavam “CCCP”, o que não tinha nada a ver com o URSS usado no Brasil ou o USSR do inglês.
Logo depois chega um outro cara com a camiseta do time russo e os dizeres “POCCNЯ” nas costas. Pergunto aos nossos amigos o que quer dizer aquilo, e eles respondem: “Rússia”. Simples assim: “P” = R, “O” = “u”, “C” = “s”, “N” = “i”, e o erre ao contrário “Я” = “a”.
Essa simples passagem me permitiu desvendar o mistério que assolava minha mente por 26 anos!! “CCCP” era, na verdade, “SSSR” no nosso alfabeto (Algo como “Socialistas Soviéticas Somadas* Repúblicas”). Igualzinho!! Simples quando se sabe o código!!
Aí parei para pensar: essa técnica de trocar as letras para escrever em código era muito utilizada pelas garotas que faziam “agenda” durante a minha pré-adolescência…… Será que elas aprenderam a técnica em algum manual russo, ou estudando a lógica bolchevique? Ou seriam elas um exército de agentes russos, disfarçados por trás daquela aura angelical e alienada de menininhas para não levantar suspeitas? Eu bem pensava que os trechos em código das agendas eram sobre os meninos que elas gostavam e etc. Mas bem poderiam ser palavras de ordem e planos da uma conspiração comunista destinada a substituir a ditadura militar por um “politburo” sul-americano.
Bom, escapamos por pouco. De alguma forma a organização subversiva se desmantelou e aqueles agentes cresceram para se tornar mulheres brasileiras adultas, felizes e bem-sucedidas. Talvez, com a derrocada do império Soviético, acabou o dinheiro para financiar a revolução comunista das menininhas. Ou de repente elas eram menininhas mesmo e de fato os códigos eram todos sobre outros menininhos.
Mas se um dia eu botar a mão numa daquelas agendas de 20 anos atrás, ah eu vou pegar o alfabeto russo para desvendar os códigos e tirar a prova!!
Obs:
* “Somadas” é forçação de barra da minha parte. Na verdade a palavra russa que quer dizer “Unidas” começa com S, mas não lembro qual era.
** - A foto eu peguei da internet, no site AP Photo, e foi tirada por Sergey Ponomarev. Clique na foto para ver o site original e mais fotos do cara.

















