O mundo encantado de JC

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Abril 2, 2007 · Nenhum Comentário

JC, o baterista!

A bateria é provavelmente o instrumento musical que mais desperta interesse das pessoas.

Primeiro, porque não é um “objeto”, não é algo que você segura e maneja. Não. É um verdadeiro sistema. É um instrumento maior que o músico. O músico “veste” a bateria, se senta na posição de comando como se estivesse manobrando uma carreta.

Segundo, porque parece fácil. Para o leigo, a bateria nada mais é que um monte de tambores e pratos, e duas varinhas para você bater nelas. Algum tipo de som você consegue tirar dela. Outros instrumentos, você olha para eles e nem consegue imaginar como tirar uma nota. Você até os assopra ou os aperta, mas o resultado é ou o silêncio ou um ruído mais insuportável que o canto do lúcifer.

Por isso mesmo, todo incauto quando vê uma bateria, quer se sentar lá e brincar com as baquetas.

Como foi o caso do nosso amigo JC nessa foto – e eu tenho a vantagem de ter um irmão baterista e portanto sei como esses caras “parecem” quando estão tocando muito. Vai dizer que com uma pose dessa, JC não iria iludir qualquer um sobre suas habilidades baterísticas?

Mas ora, ora, convenhamos…. Nem num mundo encantado JC conseguiria tocar mais de um compasso numa bateria…

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X&Y

Fevereiro 27, 2007 · Nenhum Comentário

X&Y

Capa de “X&Y”, Coldplay, 2005.

O Coldplay está no Brasil. Um pouco da música “nacional” daqui indo entreter meus irmãos brazucas. Inspirado na empolgação do meu irmão com o evento, cheguei em casa, desempoerei o disco e coloquei-o para tocar. Realmente é uma obra prima, quase ao nível do seu álbum de estréia “Parachutes”, de 2000.

Mas não é isso o que traz essa capa para as páginas desse humilde fotolog, sim o fato de que ouvir “X&Y” foi aquele ritual em que a gente formalmente transfere uma lembrança do nosso presente ao nosso passado, como se gravando um dado no HD para liberar memória RAM. Até aí nada de mais, a gente faz isso toda hora. Mas essa foi a primeira vez que percebo que estou levando para os meus arquivos momentos que passei aqui na Bretanha.

6 de Junho de 2005, dia de lançamento do esperado álbum. JC, com apenas uma semana de Reino Unido, aproveita uma pausa no trabalho do Banco da América e vai nos subterrâneos da Casa do Canário, achar na HMV o recém-lançado álbum. “X&Y” bateu o recorde de primeiro dia de vendas no Reino Unido, e eu contribuí para isso (CAAARA!!). A loja estava fantasiada de Coldplay, com banners, posters e pilhas do festejado disco. “Talk”, a obra-prima então desconhecida para mim, tocava ao fundo. Paguei as £17 que os caras pediam e voltei ao trabalho.

O disco do Coldplay foi a minha primeira aquisição na Inglaterra.

Eu era tão recente nesse país que nem casa tinha, estava instalado no sofá que Bruno Cirello gentilmente me cedera. Cheguei na casa e estavam todos lá, me apressei para colocar o disco para tocar. Na segunda música o faltmate Italiano tirou o disco, alegando ser um som muito “parado”. Que herege. Adiou o meu momento histórico. Em protesto, deitei no sofá e retomei a leitura de “Humano, demasiado humano” (o Nietzche que o Rogério me emprestou) para dormir.

Na semana seguinte fui ocupar em Kilburn o quarto do peruano Armando Risi (outro “student-to-be da LBS que resolveu viajar pela Europa antes do inicio do curso). Enfim consegui ouvir o disco com calma. Me arrepiei. Me indagava se o X&Y não era ainda melhor que o Parachutes. Chegava do trabalho todo dia e escutava o X&Y enquanto tentava driblar a solidão falando com Denise e meus irmãos no messenger.

E assim, “Square One”, “Fix you”, “Talk” e “Low” foram preenchendo meus dias de Kilburn. Me tiraram de casa em 2 de julho, ao vê-las pela televisão num Live 8 que lotou o Hyde Park. Me alegraram em 6 de julho de 2005 quando Londres foi escolhida para sediar as olimpíadas. Me protegeram do desamparo e do medo em 7 de julho quando o metrô de Londres foi bombardeado minutos depois de eu passar por ele. Era o meu companheiro, meu confidente. Junto com o “Cien Años de Soledad”, que Armando deixara no quarto e eu lia antes de dormir).

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Fábio Andrade e João Claudio, 23 de Dezembro de 2006, gravação do Samba Contrito

Fevereiro 26, 2007 · Nenhum Comentário

Contritando...

Interessante observar como grande parte da beleza da arte nasce da dor, da solidão, da perda, do desespero. Não que o Samba Contrito seja o melhor exemplo da beleza da arte, mas não deixa de ser um pequeno exemplo de como a dor nos capacita a darmos o melhor de nós.

Me arrisco a dizer que, para cada música que fala de felicidade, existem 17 que falam de trsiteza.

Do lado do artista, parece que quando alguma coisa está errada temos uma necessidade maior de nos expressar, botar para fora, pedir ajuda. Quando tudo está bem não temos muito o que dizer. Até escondemos um pouco nosso entusiasmo com medo de atrair inveja.

Do lado do público, também imagino que a tristeza venda mais. Quando temos um problema é bom saber que não somos os únicos, que muitos já sofreram do mesmo mal e musicaram seu sofrimento para que nós nos sintamos menos sozinhos na dor. Quando estamos bem, ao contrário, não precisamos ouvir outros exemplos de pessoas que tiveram a mesma sorte que nós. Na derrota nós precisamos de companhia, na vitória não.

Pois eu já desclassifiquei o morro, e reneguei ao samba. Parabéns a ela. Aposentei o cavaquinho, engavetei o agogô, botei o surdo pra vender, e mudo sofri. Pedi perdão ao samba, pedi que me escutasse, que me redimisse. Descobri que o grande amor mora entre o cantar do bandolim e o tombo sóbrio do tambor. O samba me escutou, e me deu a canção. Obrigado, ó samba, tronco maior de toda a arte brasileira.

Passada a agrura, não há muito mais o que dizer. Voltei a compor logo depois, com o discernimento que só o tempo e a distância são capazes de dar, quase que tentando entender melhor o que me ocorrera, tentando acreditar que guardo as coisas bonitas no meu coração.

Hoje está tudo bem. Estou aqui nos bastidores do meu futuro, esperando o show começar, e passo meu tempo entre os episódios de Seinfeld e os tiros no Xbox. Meu teclado está aqui, mas temos nos evitado. Sabe lá o que sairia de um encontro nosso. Muito provavelmente ele permaneceria calado, ou apenas repetiria histórias de um passado remoto. Se ele quiser me dizer algo de novo, provavelmente me perguntaria sobre a solidão, ou me exigiria explicações sobre o que eu estou fazendo comigo. Em qualquer dos casos eu sei que para responder teria de vasculhar o fundo da minha alma.

Deixo ele lá. Música triste é pra fazer cercado de amigos.

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The Killers

Fevereiro 25, 2007 · Nenhum Comentário

The Killers

“Sam’s Town” tour, Wembley arena.

Cara… Estava precisando disso. Uma injeção de cultura bretã*. Na veia. You sit there in your heartache, waiting on some beautiful boy to save you from your old ways.

Não me entendam mal. Mas é que estou passando por uma fase estranha. Essa história de simplesmente esperar pelo que está por vir acabou me empurrando a uma fase extremamente caseira. You play forgiveness. Watch it now, here he comes! He doesn’t look a thing like Jesus, but he talks like a gentleman, like you imagined when you were young.

Tudo bem, já tive fases caseiras antes. Fico aqui, fazendo meus trabalhos, jogando Tom Clancy’s Rainbow Six Vegas, assistindo as novas temporadas de Seinfeld que comprei. Can we limb this mountain? I don’t know. Higher now than ever before, know we can make it if we take it slow. Let’s take it easy, easy now, watch it go.

Mas o que me pega é que essas coisas eu não precisava estar em Londres para fazer (tudo bem que o Rinbow Six ainda não saiu no Brasil…). O show de ontem me fez perceber o quanto está acontecendo nessa cidade vibrante, fora da minha casa. We’re burning down the highway skyline, on the back of a hurricane that started turning when you were young.

Aprendi que o meu ostracismo de inverno já durou demais, e que preciso sair e fazer o melhor do meu sabático. Em breve terei aqui Srta Neves e voltarei ao esquema escritório-aeroporto-casa. Preciso ter mais saudade desse momento. And sometimes you close your eyes and see the place where you used to live when you were young.

E quanta coisa acontece lá fora… Depois do show fomos a um pub e conhecemos um casal de ingleses que quer ir ao Brasil fazer trabalhos voluntarios. Estão lhes cobrando £2,000 para ajudar os outros, fiquei indignado. Me comprometi a ajudar. They say the devil’s water, it ain’t so sweet. You don’t have to drink right now but you can dip your feet.


* (aprendi que o the Killers na verdade é uma banda Americana… Que pena. Mas tudo bem, eles são britânicos na alma, aprenderam com os grandes mestres da pequena ilha)

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Feliz 2007

Janeiro 2, 2007 · 1 Comentário

Feliz 2007

“Adeus, béra velha
Feliz béra nova
Que o muro se realize
Com as béras que vamos beber
Muito mais béras no muro
O Velho Careca que vá se f***”

Esse foi o hino com o qual demos boas-vindas a 2007, nas areias da Riviera de São Lourenço, recompensa justa após todo o empenho na construção do muro. Mais de 700 latinhas foram usadas em sua construção, a qual se desenvolveu sempre à frente do cronograma. Pode-se pensar que basta ir tomando as cervejas e agrupando-as ali, mas o trabalho é mais complexo que isso. Envolve considerações logísticas como quais cervejas gelar (em vista que quantas latas azuis e brancas serão necessárias na próxima etapa do muro), e todo um trabalho artesanal para prender as latas na rede… Sem contar todo o trabalho de apoio, como a preparação da ceia de natal e do churrasco de fim de ano, o gerenciamento dos coolers, a edição do vídeo de fim de ano, a atualização das listas de compras para minimizar as idas ao insuportável Armazém Geral, o esforço de todos para manter o ap limpo, etc.

Enfim, estamos ficando melhores e mais motivados a cada ano que passa, e os preparativos para o muro 2007 já começaram.

(E bom, Velho Careca é o novo sucesso da Cowbell, vociferada com sofreguidão por todos os presentes um sem-número de vezes durante a cerimônia toda)…

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