A língua portuguesa pode ser meio inútil num contexto internacional, já que pouca gente aqui fora consegue falá-la. Porém, o brasileiro nasce com a sorte de conseguir um segundo idioma sem maiores esforços – o espanhol. Todo brasileiro já fala portunhol fluente, e para adquirir a correção da língua hispânica não é necessário mais do que alguma atenção e exposição à língua.
Bem tinha razão meu amigo argentino quando, para tirar uma com a minha cara, disse que o português é um dialeto do espanhol. Tive que concordar (Bom, na verdade fiz uma “troca” com ele, obrigando-o a admitir que São Paulo é a capital da América do Sul).
Pois bem, de uns tempos para cá criei o costume de ler livros em espanhol – na maioria escritos por latino-americanos. Gabriel García Marquez é o meu preferido, e “Cem anos de solidão” é uma das mais espetaculares obras literárias com as quais já tive contato. Agora estou terminando “A Casa dos Espíritos” (lembram, daquele filme?), outra saga ruiquíssima, em que Isabel Allende usa a ficção para ajudar a contar um pouco da história do seu Chile.
A técnica é muito simples: basta nao se deixar intimidar pelas palavras desconhecidas. Se você esbarra numa delas (bem comum no começo), tente adivinhar seu significado aproximado através do contexto, ou simplesmente ignore. Essa palavra voltará certamente muitas vezes e a repetição lhe leva a induzir seu significado. Antes do que voce espera você já incorporou as sábanas, espaldas, mejillas e pesadumbres no seu vocabulário.
Acho que essa é a segunda melhor maneira de aprender uma outra língua – depois, é claro, de visitar o país onde ela é falada. Pois o idioma entra em você sem você perceber, e de quebra você já conhece mais sobre a bagagem cultural do país em questão. Foi assim que aprendi inglês, e é assim que estou aprendendo espanhol.
Meus próximos passos são o Francês e o Italiano. Serão mais difíceis, mas não impossíveis. Talvez com um dicionariozinho…




