O mundo encantado de JC

Entradas do Junho 2008

POCCNЯ e a conspiração das menininhas

Junho 28, 2008 · 11 Comentários

Vira e mexe nos acontecem esses causos que só poderiam acontecer em Londres, e que nos fazem questionar verdades que pareciam arraigadas em nosso passado.

Estávamos eu e Felipe Aquilino no Walkabout em Temple esperando começar a semifinal da Eurocopa entre Espanha e Rússia.De repente chegam 3 caras, se apossam do restante da mesa e começam a conversar numa língua bizarra. “Esses caras devem ser russos”, comentou o Felipe. Eram 2 russos e um ucraniano.

Começamos a conversar com eles, e me lembrei do medo que senti da União Soviética na copa de 1982 (jogada na Espanha, por sinal). Aqueles inimigos carrancudos, todos iguaizinhos, com a camisa vermelha escrito “CCCP” e o goleiro Dasaiev que anulou o ataque-arte do Brasil pela maior parte do jogo. Nunca entendi porque os soviéticos se chamavam “CCCP”, o que não tinha nada a ver com o URSS usado no Brasil ou o USSR do inglês.

Logo depois chega um outro cara com a camiseta do time russo e os dizeres “POCCNЯ” nas costas. Pergunto aos nossos amigos o que quer dizer aquilo, e eles respondem: “Rússia”. Simples assim: “P” = R, “O” = “u”, “C” = “s”, “N” = “i”, e o erre ao contrário “Я” = “a”.

Essa simples passagem me permitiu desvendar o mistério que assolava minha mente por 26 anos!! “CCCP” era, na verdade, “SSSR” no nosso alfabeto (Algo como “Socialistas Soviéticas Somadas* Repúblicas”). Igualzinho!! Simples quando se sabe o código!!

Aí parei para pensar: essa técnica de trocar as letras para escrever em código era muito utilizada pelas garotas que faziam “agenda” durante a minha pré-adolescência…… Será que elas aprenderam a técnica em algum manual russo, ou estudando a lógica bolchevique? Ou seriam elas um exército de agentes russos, disfarçados por trás daquela aura angelical e alienada de menininhas para não levantar suspeitas? Eu bem pensava que os trechos em código das agendas eram sobre os meninos que elas gostavam e etc. Mas bem poderiam ser palavras de ordem e planos da uma conspiração comunista destinada a substituir a ditadura militar por um “politburo” sul-americano.

Bom, escapamos por pouco. De alguma forma a organização subversiva se desmantelou e aqueles agentes cresceram para se tornar mulheres brasileiras adultas, felizes e bem-sucedidas. Talvez, com a derrocada do império Soviético, acabou o dinheiro para financiar a revolução comunista das menininhas. Ou de repente elas eram menininhas mesmo e de fato os códigos eram todos sobre outros menininhos.

Mas se um dia eu botar a mão numa daquelas agendas de 20 anos atrás, ah eu vou pegar o alfabeto russo para desvendar os códigos e tirar a prova!!

Obs:

* “Somadas” é forçação de barra da minha parte. Na verdade a palavra russa que quer dizer “Unidas” começa com S, mas não lembro qual era.

** - A foto eu peguei da internet, no site AP Photo, e foi tirada por Sergey Ponomarev. Clique na foto para ver o site original e mais fotos do cara.

Categorias: Espanha · Futebol · Historias · Jogos · Londres · Russia
Etiquetado: , , , , , ,

A pequena biblioteca Latino-Americana

Junho 27, 2008 · 2 Comentários

Los libros que estoy leyendo

A língua portuguesa pode ser meio inútil num contexto internacional, já que pouca gente aqui fora consegue falá-la. Porém, o brasileiro nasce com a sorte de conseguir um segundo idioma sem maiores esforços – o espanhol. Todo brasileiro já fala portunhol fluente, e para adquirir a correção da língua hispânica não é necessário mais do que alguma atenção e exposição à língua.

Bem tinha razão meu amigo argentino quando, para tirar uma com a minha cara, disse que o português é um dialeto do espanhol. Tive que concordar (Bom, na verdade fiz uma “troca” com ele, obrigando-o a admitir que São Paulo é a capital da América do Sul).

Pois bem, de uns tempos para cá criei o costume de ler livros em espanhol – na maioria escritos por latino-americanos. Gabriel García Marquez é o meu preferido, e “Cem anos de solidão” é uma das mais espetaculares obras literárias com as quais já tive contato. Agora estou terminando “A Casa dos Espíritos” (lembram, daquele filme?), outra saga ruiquíssima, em que Isabel Allende usa a ficção para ajudar a contar um pouco da história do seu Chile.

A técnica é muito simples: basta nao se deixar intimidar pelas palavras desconhecidas. Se você esbarra numa delas (bem comum no começo), tente adivinhar seu significado aproximado através do contexto, ou simplesmente ignore. Essa palavra voltará certamente muitas vezes e a repetição lhe leva a induzir seu significado. Antes do que voce espera você já incorporou as sábanas, espaldas, mejillas e pesadumbres no seu vocabulário.

Acho que essa é a segunda melhor maneira de aprender uma outra língua – depois, é claro, de visitar o país onde ela é falada. Pois o idioma entra em você sem você perceber, e de quebra você já conhece mais sobre a bagagem cultural do país em questão. Foi assim que aprendi inglês, e é assim que estou aprendendo espanhol.

Meus próximos passos são o Francês e o Italiano. Serão mais difíceis, mas não impossíveis. Talvez com um dicionariozinho…

Categorias: Linguas · Livros
Etiquetado: , , , , , ,

Camembert

Junho 25, 2008 · 6 Comentários

O custo de vida na Bretanha é alto, disso todo mundo sabe. Mas viver aqui na porta da Europa tem as suas compensações. Os vários produtos de qualidade vindos do “continente” (é como eles chamam o resto da Europa por aqui) são uma delas.

Salsichas alemãs, cervejas belgas, mostarda dijon, queijos finos, tudo se encontra pelo preço das “equivalentes” Kaisers e Perdigões e Ariscos e Teixeiras do Brasil. Eu e Denise sempre temos uma peça de Camembert pronta para emergências. No Pão de Açúcar uma peça de um bom legítimo Camembert Francês sai por mais R$ 20,00. Aqui, £1.68. Coração de Leão.

Camembert na geladeira

Compramos um recipiente hermético para que o cheiro do Camembert não empesteie a geladeira e deixamos ele lá de prontidão.

Um belo dia, cansados do trabalho, passamos no mercado, compramos uma baguette, assamos o Camembert, cortamos sua “tampa” e devagar apreciamos seu sabor característico, sua textura pastosa, o pão fresquinho. O sabor do velho “continente”, com toda a sua elegância, na informalidade do lar bretão dos brazucas.

Nessas horas, mais cedo ou mais tarde, eu e ela nos olharemos nos olhos e um de nós dirá: “É boa a nossa vidinha aqui no Reino Unido”. Batata.

Volta e meia recebemos visitantes do Brasil por aqui,e saudamo-nos com a deliciosa tradição do Camembert.

Comendo Camembert na visita dos pais

Fica a sugestão: se você não tiver viagem planejada à Europa, gaste os R$ 20, leve um Camembert para casa, deixe-o derreter por 15min no forno e coma com um bom pãozinho francês (de 15 centavos) fatiado. Mmmmmmmmmmm………….

Categorias: Uncategorized