O mundo encantado de JC

X&Y

Fevereiro 27, 2007 · Nenhum Comentário

X&Y

Capa de “X&Y”, Coldplay, 2005.

O Coldplay está no Brasil. Um pouco da música “nacional” daqui indo entreter meus irmãos brazucas. Inspirado na empolgação do meu irmão com o evento, cheguei em casa, desempoerei o disco e coloquei-o para tocar. Realmente é uma obra prima, quase ao nível do seu álbum de estréia “Parachutes”, de 2000.

Mas não é isso o que traz essa capa para as páginas desse humilde fotolog, sim o fato de que ouvir “X&Y” foi aquele ritual em que a gente formalmente transfere uma lembrança do nosso presente ao nosso passado, como se gravando um dado no HD para liberar memória RAM. Até aí nada de mais, a gente faz isso toda hora. Mas essa foi a primeira vez que percebo que estou levando para os meus arquivos momentos que passei aqui na Bretanha.

6 de Junho de 2005, dia de lançamento do esperado álbum. JC, com apenas uma semana de Reino Unido, aproveita uma pausa no trabalho do Banco da América e vai nos subterrâneos da Casa do Canário, achar na HMV o recém-lançado álbum. “X&Y” bateu o recorde de primeiro dia de vendas no Reino Unido, e eu contribuí para isso (CAAARA!!). A loja estava fantasiada de Coldplay, com banners, posters e pilhas do festejado disco. “Talk”, a obra-prima então desconhecida para mim, tocava ao fundo. Paguei as £17 que os caras pediam e voltei ao trabalho.

O disco do Coldplay foi a minha primeira aquisição na Inglaterra.

Eu era tão recente nesse país que nem casa tinha, estava instalado no sofá que Bruno Cirello gentilmente me cedera. Cheguei na casa e estavam todos lá, me apressei para colocar o disco para tocar. Na segunda música o faltmate Italiano tirou o disco, alegando ser um som muito “parado”. Que herege. Adiou o meu momento histórico. Em protesto, deitei no sofá e retomei a leitura de “Humano, demasiado humano” (o Nietzche que o Rogério me emprestou) para dormir.

Na semana seguinte fui ocupar em Kilburn o quarto do peruano Armando Risi (outro “student-to-be da LBS que resolveu viajar pela Europa antes do inicio do curso). Enfim consegui ouvir o disco com calma. Me arrepiei. Me indagava se o X&Y não era ainda melhor que o Parachutes. Chegava do trabalho todo dia e escutava o X&Y enquanto tentava driblar a solidão falando com Denise e meus irmãos no messenger.

E assim, “Square One”, “Fix you”, “Talk” e “Low” foram preenchendo meus dias de Kilburn. Me tiraram de casa em 2 de julho, ao vê-las pela televisão num Live 8 que lotou o Hyde Park. Me alegraram em 6 de julho de 2005 quando Londres foi escolhida para sediar as olimpíadas. Me protegeram do desamparo e do medo em 7 de julho quando o metrô de Londres foi bombardeado minutos depois de eu passar por ele. Era o meu companheiro, meu confidente. Junto com o “Cien Años de Soledad”, que Armando deixara no quarto e eu lia antes de dormir).

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