Pois bem, JC é um rapaz comprometido e há muito não presta mais atenção nas moças desimpedidas, garotas independentes, mulheres modernas e capivaras sanguinolentas que vagam pela noite nas cidades do mundo. Mas o charme excessivo exala de mim de forma incontrolável (o que se pode fazer?…), e vez por outra uma me coloca em situacões, digamos, pitorescas.
Desta vez foi no Supperclub de Amsterdam, a filial fluvial de uma das mais badaladas casas noturnas da cidade, na qual se servem jantares requintados enquanto se explora os canais holandeses. A simpática senhora da foto não resistiu aos meus encantos e me abordou de forma acintosa na frente dos meus amigos.
Reuni todas as minhas energias e resisti o quanto pude, e enfim a senhora se contentou em ser apenas uma boa amiga de JC. Quer dizer, mais tarde ela viria com novas investidas, mas já sem a mesma objetividade.
Este fenômeno do charme incontrolável – e por vezes nocivo – que certos homens possuem é abordado num dos episódios de Seinfeld, em que Kramer sem nem perceber quase leva uma noviça a renegar sua fé letão-ortodoxa. O sacerdote-mor da igreja se intera dos fatos, e batiza o fenômeno de “Kavorca”, que em letão arcaico quer dizer “o instinto animal”. Por fim, ele indica um rito para que Kramer se livre do karma dessa kavorca maldita: um banho em alho e vinagre (que afinal iria fazê-lo feder de tal maneira que não tem kavorca que resista…)
Bom, é isso. Fico feliz em saber que consigo lidar com esses efeitos colaterais da kavorca que me assola. Continuo um noivo “intacto”, pronto para assumir minhas obrigações de esposo sem peso na consciência quando chegar a hora. Mais ainda, me alivia o fato de saber que a kavorca tem cura!
Agora deixa eu ir lá que meu banho de alho e vinagre está pronto!
(bom, claro que tudo isso é uma brincadeira. Kavorca não existe, e mesmo se existir, sempre passou longe deste humilde e pacato relator…)




